Day 312 / 365
João 4–7
João 4–7
1Quando, pois, o Senhor entendeu que os fariseus ouviram que Jesus fazia e batizava mais discípulos que João
2(ainda que Jesus mesmo não batizava, mas sim seus discípulos),
3Ele deixou a Judeia, e foi outra vez para a Galileia.
4E foi necessário passar por Samaria.
5Veio pois a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto à propriedade que Jacó deu a seu filho José.
6E ali estava a fonte de Jacó. Então Jesus, cansado do caminho, sentou-se assim junto à fonte; era isto quase à hora sexta.
7Veio uma mulher de Samaria para tirar água; Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
8(Porque seus discípulos haviam ido à cidade para a comprar de comer).
9Disse-lhe pois a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber, que sou mulher samaritana? (Porque os judeus não se comunicam com o samaritanos.)
10Respondeu Jesus, e disse-lhe: Se tu conhecesses o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
11Disse a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; de onde pois tens a água viva?
12És tu maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço? E ele mesmo dele bebeu, e seus filhos, e seu gado?
13Jesus respondeu, e disse-lhe: Todo aquele que beber desta água voltará a ter sede;
14Porém aquele que beber da água que eu lhe der, para sempre não terá sede, mas a água que eu lhe der se fará nele fonte de água, que salte para vida eterna.
15Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me desta água, para que eu não tenha mais sede, nem venha aqui para tirar.
16Disse-lhe Jesus: Vai, chama a teu marido, e vem cá.
17A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Bem disseste: Marido não tenho.
18Porque cinco maridos tiveste, e o que agora tens não é teu marido; isto com verdade disseste.
19Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.
20Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.
21Disse-lhe Jesus: Mulher, crê em mim, que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém, adorareis ao Pai.
22Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos, porque a salvação vem dos judeus.
23Porém a hora vem, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque também o Pai busca a tais que o adorem.
24Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá -lo em espírito e em verdade.
25Disse-lhe a mulher: Eu sei que o Messias vem (que se chama o Cristo); quando ele vier, todas as coisas nos anunciará.
26Disse-lhe Jesus: Eu sou o que contigo falo.
27E nisto vieram seus discípulos; e maravilharam-se de que falasse com uma mulher; mas ninguém lhe disse: Que perguntas? ou, O que falas com ela?
28Deixou, pois, a mulher seu vaso de água, e foi à cidade, e disse ao povo:
29Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; por acaso não é este o Cristo?
30Saíram, pois, da cidade, e vieram a ele.
31E enquanto isso, os discípulos lhe pediam, dizendo: Rabi, come.
32Porém ele lhes disse: Uma comida tenho que comer, que vós não sabeis.
33Diziam, pois, os discípulos uns aos outros: Por acaso alguém lhe trouxe de comer?
34Disse-lhes Jesus: Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e cumprir sua obra.
35Não dizeis vós, que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que vos digo: Levantai vossos olhos, e vede as terras; porque já estão brancas para a ceifa.
36E o que ceifa, recebe recompensa, e junta fruto para vida eterna; para que ambos se alegrem, tanto o que semeia, quanto o que ceifa.
37Porque nisto é verdadeiro o ditado, que: Um é o que semeia, e outro o que ceifa.
38Eu vos enviei para ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no trabalho deles.
39E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele pela palavra da mulher, que testemunhava, dizendo: Ele me disse tudo quanto eu tenho feito.
40Vindo pois os samaritanos a ele, suplicaram-lhe que ficasse com eles; e ele ficou ali dois dias.
41E creram ainda muitos mais pela palavra dele.
42E diziam à mulher: Já não cremos por teu dito; porque nós mesmos temos o ouvido, e sabemos que verdadeiramente este é o Cristo, o Salvador do mundo.
43E depois de dois dias partiu dali, e foi-se para a Galileia.
44Porque o mesmo Jesus testemunhou que não tem o Profeta honra em sua própria terra.
45Vindo pois para a Galileia, os Galileus o receberam, havendo visto todas as coisas que fizera em Jerusalém no dia da festa, porque também eles foram ao dia da festa.
46Veio pois Jesus outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho. E estava ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.
47Ouvindo este que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi ter com ele, e suplicava-lhe que descesse, e curasse a seu filho, porque já estava à morte.
48Disse-lhe pois Jesus: Se não virdes sinais e milagres não crereis.
49O nobre lhe disse: Senhor, desce, antes que meu filho morra.
50Disse-lhe Jesus: Vai, teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e se foi.
51E estando ele já descendo, seus servos lhe saíram ao encontro, e lhe anunciaram, dizendo: Teu filho vive.
52Perguntou-lhes pois, a que hora se achara melhor; e disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou.
53Entendeu pois o pai, que aquela era a mesma hora em que Jesus lhe disse: Teu filho vive. E creu nele, e toda sua casa.
54Este segundo sinal Jesus voltou a fazer, quando ele veio d a Judeia a Galileia.
1Depois disto houve uma festa dos judeus, e subiu Jesus para Jerusalém.
2E há em Jerusalém à porta das ovelhas um tanque, que em hebraico se chama Betesda, que tem cinco entradas cobertas.
3Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos, e de corpo ressecado, aguardando o movimento da água.
4Porque um anjo descia de vez em quando ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que descia nele, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.
5E estava ali um certo homem, que havia trinta e oito anos que estava enfermo.
6Vendo Jesus a este deitado, e sabendo, que já havia muito tempo que ali jazia, disse-lhe: Queres sarar?
7Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho homem algum para que, quando a água se agita, me ponha no tanque; e enquanto eu venho, outro desce antes de mim.
8Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma teu leito, e anda.
9E logo aquele homem sarou; e tomou seu leito, e andou. E era Sábado aquele dia.
10Disseram pois os judeus para aquele que fora curado: É Sábado, não te é lícito levar o leito.
11Respondeu-lhes ele: Aquele que me curou, esse me disse: Toma teu leito, e anda.
12Perguntaram-lhe pois: Quem é o homem que te disse: Toma teu leito e anda?
13E o que fora curado, não sabia quem o era, porque Jesus se havia retirado, porque naquele lugar havia uma grande multidão.
14Depois Jesus achou-o no Templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.
15Aquele homem foi anunciar aos judeus que Jesus era o que o curara.
16E por isso os judeus perseguiam Jesus e procuravam matá-lo, porque ele fazia estas coisas no sábado.
17E Jesus lhes respondeu: Meu Pai até agora trabalha, e eu também trabalho.
18Por isto ainda mais procuravam os Judeus matá-lo, porque não só quebrava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
19Respondeu pois Jesus, e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo, que não pode o Filho fazer coisa alguma de si mesmo, a não ser aquilo que ele veja o Pai fazer; porque todas as coisas que ele faz, semelhantemente o Filho também as faz.
20Porque o Pai ama ao Filho, e todas as coisas que faz lhe mostra; e maiores obras que estas lhe mostrará, para que vós vos maravilheis.
21Porque como o Pai aos mortos ressuscita e vivifica, assim também o Filho aos que quer vivifica.
22Porque também o Pai a ninguém julga, mas todo o juízo deu ao Filho,
23Para que todos honrem ao Filho, como honram ao Pai. Quem não honra ao Filho, não honra ao Pai que o enviou.
24Em verdade, em verdade vos digo, que quem ouve minha palavra, e crê ao que me enviou, tem vida eterna, e não virá em condenação, mas passou da morte para a vida.
25Em verdade, em verdade vos digo, que a hora vem, e agora é, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aos que ao ouvirem, viverão.
26Porque como o Pai tem vida em si mesmo, assim deu também ao Filho que tivesse vida em si mesmo.
27E deu-lhe poder, para fazer juízo, porque é o Filho do homem.
28Não vos maravilheis disto; porque a hora vem, em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão sua voz.
29E sairão os que fizeram bem, para a ressurreição de vida; e os que fizeram mal, à ressurreição de condenação.
30Não posso eu de mim mesmo fazer alguma coisa. Como ouço, assim julgo; e meu juízo é justo; porque não busco minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.
31Se eu testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro.
32Outro há que testemunha de mim, e sei que o testemunho, que testemunha de mim, é verdadeiro.
33Vós enviastes mensageiros a João, e ele deu testemunho à verdade.
34Porém eu não recebo testemunho humano; mas digo isto para que sejais salvos.
35Ele era uma lâmpada ardente e brilhante; e vós quisestes por um pouco de tempo alegrar em sua luz.
36Mas eu tenho maior testemunho que o de João; porque as obras que o Pai me deu que cumprisse, as mesmas obras que eu faço, testemunham de mim que o Pai me enviou.
37E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou de mim. Nunca ouvistes sua voz, nem vistes sua aparência.
38E não tendes sua palavra permanecendo em vós; porque ao que ele enviou, a esse vós não credes.
39Investigai as Escrituras; porque vós pensais que nelas tendes a vida eterna, e elas são as que de mim testemunham.
40E não quereis vir a mim, para que tenhais vida.
41Não recebo honra humana.
42Mas eu bem vos conheço que não tendes o amor de Deus em vós mesmos.
43Eu vim em nome de meu Pai, e vós não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.
44Como podeis vós crer, se tomais honra uns dos outros, e não buscais a honra que vem somente de Deus?
45Não penseis que eu vos tenha de acusar para com o Pai; o que vos acusa é Moisés, em quem vós esperais.
46Porque se vós crêsseis em Moisés, também a mim me creríeis; porque de mim ele escreveu.
47Mas se não credes em seus escritos, como crereis em minhas palavras?
1Depois disto Jesus partiu para a outro lado do mar da Galileia, que é o de Tibérias.
2E uma grande multidão o seguia, porque viam seus sinais que ele fazia nos enfermos.
3E subiu Jesus ao monte, e sentou-se ali com seus discípulos.
4E já a Páscoa, a festa dos judeus, estava perto.
5Levantando pois Jesus os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha a ele, disse a Filipe: De onde comparemos pães, para que estes comam?
6(Mas ele disse isto para o testar; pois ele bem sabia o que havia de fazer.)
7Respondeu-lhe Filipe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.
8Disse-lhe um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro:
9Um menino está aqui que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto entre tantos?
10E disse Jesus: Fazei sentar as pessoas; e havia muita erva naquele lugar. Sentaram-se, pois, os homens, em número de cinco mil.
11E tomou Jesus os pães, e havendo dado graças, repartiu-os aos discípulos, e os discípulos aos que estavam sentados, semelhantemente também dos peixes, quanto queriam.
12E quando já estiveram fartos, disse ele a seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca.
13Então eles os recolheram, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobraram aos que tinham comido.
14Vendo, pois, aquelas pessoas o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é verdadeiramente o Profeta que havia de vir ao mundo!
15Sabendo pois Jesus que viriam, e o tomariam, para fazê-lo rei, voltou a se retirar sozinho ao monte.
16E quando veio o entardecer, seus discípulos desceram para o mar.
17E entrando no barco, vieram do outro lado do mar para Cafarnaum. E era já escuro, e Jesus ainda não tinha vindo a eles.
18E o mar se levantou, porque um grande vento soprava.
19E havendo já navegado quase vinte e cinco, ou trinta estádios, viram a Jesus andando sobre o mar, e se aproximando do barco; e temeram.
20Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.
21Eles, então, o receberam com agrado no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.
22O dia seguinte, vendo a multidão, que estava do outro lado do mar, que não havia ali mais que um barquinho, em que seus discípulos entraram; e que Jesus não entrara com seus discípulos naquele barquinho, mas que seus discípulos sós se haviam ido;
23(Porém outros barquinhos vieram de Tibérias, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças.)
24Vendo pois a multidão que Jesus não estava ali, nem seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e vieram a Cafarnaum em busca de Jesus.
25E achando-o do outro lado do mar, disseram: Rabi, quando chegaste aqui?
26Respondeu-lhes Jesus, e disse: Em verdade, em verdade vos digo, que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas pelo pão que comestes, e vos fartastes.
27Trabalhai não pela comida que perece, mas sim pela comida que permanece para vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque Deus Pai a este selou.
28Disseram-lhe pois: Que faremos para trabalhar as obras de Deus?
29Respondeu Jesus, e disse-lhes: Esta é a obra de Deus: que creiais naquele que ele enviou.
30Disseram-lhe pois: Que sinal, pois, fazes tu para que o vejamos, e em ti creiamos? O que tu operas?
31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Pão do céu ele lhes deu para comer.
32Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.
33Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.
34Disseram-lhe pois: Senhor, dá-nos sempre d este pão.
35E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; quem vem a mim de maneira nenhuma terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
36Mas já tenho vos dito que também me vistes, e não credes.
37Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e ao que vem a mim, em maneira nenhuma o lançarei fora.
38Porque eu desci do céu, não para fazer minha vontade, mas sim a vontade daquele que me enviou;
39E esta é a vontade do Pai, que me enviou: que de tudo quanto me deu, nada perca, mas que eu o ressuscite no último dia.
40E esta é a vontade daquele que me enviou, que todo aquele que vê ao Filho, e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.
41Então os judeus murmuravam dele, porque ele tinha dito: Eu sou o pão que desceu do céu.
42E diziam: Não é este Jesus o filho de José, cujos pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, ele diz: Desci do céu?
43Respondeu, então, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.
44Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
45Escrito está nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu, esse vem a mim.
46Não que alguém tenha visto ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.
47Em verdade, em verdade vos digo, que aquele que crê em mim tem vida eterna.
48Eu sou o pão da vida.
49Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.
50Este é o pão que desceu do céu, para que o ser humano coma dele e não morra.
51Eu sou o pão vivo, que desceu do céu; se alguém comer deste pão, para sempre viverá. E o pão que eu darei é minha carne, a qual darei pela vida do mundo.
52Discutiam, pois, os Judeus entre si, dizendo: Como este pode nos dar sua carne para comer?
53Jesus, então, lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que se não comerdes a carne do Filho do homem e beberdes seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
54Quem come minha carne e bebe meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
55Porque minha carne verdadeiramente é comida; e meu sangue verdadeiramente é bebida.
56Quem come minha carne e bebe meu sangue, em mim permanece, e eu nele.
57Como o Pai vivo me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem come a mim também por mim viverá.
58Este é o pão que desceu do céu. Não como vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
59Estas coisas ele disse na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.
60Muitos pois de seus discípulos, ao ouvirem isto , disseram: Dura é esta palavra; quem a pode ouvir?
61Sabendo, pois, Jesus em si mesmo, que seus discípulos murmuravam disso, disse-lhes: Isto vos ofende?
62Que seria pois, se vísseis ao Filho do homem subir aonde estava primeiro?
63O Espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e são vida.
64Mas há alguns de vós que não creem.Porque Jesus já sabia desde o princípio quem eram os que não criam, e quem era o que o entregaria.
65E dizia: Por isso tenho vos dito que ninguém pode vir a mim, se não lhe for concedido por meu Pai.
66Desde então muitos de seus discípulos voltaram atrás, e já não andavam com ele.
67Disse, então, Jesus aos doze: Por acaso também vós quereis ir?
68Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, a quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;
69E nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
70Jesus lhes respondeu: Por acaso não fui eu que vos escolhi, os doze? Porém um de vós é um diabo.
71E ele dizia isto de Judas de Simão Iscariotes; porque ele o entregaria, o qual era um dos doze.
1E depois disto andava Jesus na Galileia; e já não queria andar na Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo.
2E já estava perto a festa dos tabernáculos dos judeus.
3Disseram-lhe pois seus irmãos: Parti daqui, e vai-te para a Judeia, para que também teus discípulos vejam as tuas obras que fazes.
4Pois ninguém que procura ser conhecido faz coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.
5Porque nem mesmo os seus irmãos criam nele.
6Então Jesus lhes disse: Meu tempo ainda não é chegado; mas vosso tempo sempre está pronto.
7O mundo não pode vos odiar, mas a mim me odeia, porque dele testemunho que suas obras são más.
8Subi vós para esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda meu tempo não é cumprido.
9E havendo-lhes dito isto, ficou na Galileia.
10Mas havendo seus irmãos já subido, então subiu ele também à festa, não abertamente, mas como em oculto.
11Buscavam-no pois os judeus na festa, e diziam: Onde ele está?
12E havia grande murmuração dele nas multidões. Alguns diziam: Ele é Bom;e outros diziam: Não; ele, porém, engana a multidão.
13Todavia ninguém falava dele abertamente, com medo dos judeus.
14Porém no meio da festa subiu Jesus ao Templo, e ensinava.
15E maravilhavam-se os Judeus, dizendo: Como este sabe as Escrituras, não as havendo aprendido?
16Respondeu-lhes Jesus, e disse: Minha doutrina não é minha, mas sim daquele que me enviou.
17Se alguém quiser fazer sua vontade, da doutrina conhecerá, se é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo.
18Quem fala de si mesmo busca sua própria honra; mas quem busca a honra daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.
19Não vos deu Moisés a Lei? Mas ninguém de vós cumpre a Lei. Por que procurais me matar?
20Respondeu a multidão, e disse: Tens demônio; quem procura te matar?
21Respondeu Jesus, e disse-lhes: Uma obra fiz, e todos vos maravilhais.
22Por isso Moisés vos deu a circuncisão (não porque seja de Moisés, mas dois pais) e no sábado circuncidais ao homem.
23Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a Lei de Moisés não seja quebrada, irritai-vos comigo, porque no sábado curei por completo um homem?
24Não julgueis segundo a aparência, mas julgai juízo justo.
25Diziam, pois, alguns dos de Jerusalém: Não é este ao que procuram matar?
26E eis que ele fala livremente, e nada lhe dizem; por acaso é verdade que os chefes sabem que este realmente é o Cristo?
27Mas este bem sabemos de onde é: Porém quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde é.
28Exclamava pois Jesus no Templo, ensinando, e dizendo: E a mim me conheceis, e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo; mas aquele que me enviou é verdadeiro, ao qual vós não conheceis.
29Porém eu o conheço, porque dele sou, e ele me enviou.
30Procuravam pois prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque sua hora ainda não era vinda.
31E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?
32Ouviram os fariseus que a multidão murmurava estas coisas sobre ele; e os fariseus e os chefes dos Sacerdotes mandaram oficiais para prendê-lo.
33Disse-lhes pois Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e então me irei para aquele que me enviou.
34Vós me buscareis, mas não me achareis; e onde eu estou vós não podeis vir.
35Disseram, pois, os judeus uns aos outros: Para onde este se irá, que não o acharemos? Por acaso ele irá aos dispersos entre os gregos, e a ensinar aos gregos?
36Que palavra é esta que disse: Vós me buscareis, mas não me achareis; e onde eu estou vós não podeis vir?
37E no último e grande dia da festa se pôs Jesus em pé, e exclamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.
38Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do interior de seu corpo.
39(E ele disse isto do Espírito que receberiam aqueles que nele cressem; pois o Espírito Santo ainda não era vindo ,porque Jesus ainda não havia sido glorificado).
40Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta.
41Outros diziam: Este é o Cristo; e outros diziam: Por acaso vem o Cristo da Galileia?
42Não diz a Escritura que o Cristo virá da semente de Davi, e da aldeia de Belém, de onde era Davi?
43Por isso havia divisão de opiniões na multidão por causa dele.
44E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele.
45Vieram pois os oficiais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes disseram: Por que não o trouxestes?
46Os oficiais responderam: Ninguém jamais falou assim como este homem.
47Responderam-lhes, pois, os fariseus: Estais vós também enganados?
48Por acaso algum dos chefes ou dos fariseus creu nele?
49Mas esta multidão, que não sabe a Lei, maldita é.
50Disse-lhes Nicodemos, o que viera a ele de noite, que era um deles:
51Por acaso nossa Lei julga ao homem sem primeiro o ouvir, e entender o que faz?
52Responderam eles, e disseram: És tu também da Galileia? Pesquisa, e vê que nenhum profeta se levantou da Galileia.
53E cada um foi para sua casa.
"A cruz é o para-raios da graça que desvia a ira de Deus para Cristo."
— A. W. Tozer