Day 254 / 365
Lamentações 1–4
Lamentações 1–4
1Como se senta solitária a cidade que era tão populosa! A grande entre as nações tornou-se como viúva, a senhora de províncias passou a ser escrava.
2Amargamente chora na noite, suas lágrimas em seu rosto; entre todos os seus amantes não há quem a console; todos os seus amigos a traíram, inimigos se tornaram.
3Judá foi ao cativeiro com aflição e grande servidão; ela habita entre as nações, mas não acha descanso; todos os seus perseguidores a alcançam em meio ao aperto.
4Os caminhos de Sião estão em pranto, pois ninguém vem aos festivais; todas as suas portas estão desertas, seus sacerdotes gemem, suas virgens se afligem, e ela sofre de amargura.
5Seus oponentes estão no comando, seus inimigos prosperam; pois o SENHOR a afligiu por causa das suas muitas transgressões; suas crianças foram em cativeiro adiante do adversário.
6Partiu-se toda a beleza da filha de Sião; seus líderes estão como cervos, não acham pasto algum; eles andam fracos, fugindo do perseguidor.
7Nos dias da sua aflição, e de suas andanças perdidas, Jerusalém lembra-se de todas as suas preciosidades, que tinha nos tempos antigos; quando seu povo caiu na mão do adversário, não houve quem a ajudasse; os adversários a viram, e zombaram da sua queda.
8Jerusalém pecou gravemente; por isso ela se tornou impura; todos os que a honravam a desprezam, porque viram a sua nudez; ela geme, e se vira para trás.
9Sua imundície estava até nas roupas; nunca se importou com o seu futuro ; por isso caiu espantosamente, sem ter quem a consolasse. Olha, SENHOR, a minha aflição, porque o inimigo está engrandecido.
10O adversário tomou todas as suas coisas de valor; ela viu as nações entrarem no seu templo - aquelas que proibiste de entrarem na tua congregação.
11Todo o seu povo anda suspirando em busca de pão; trocaram todas os seus bens por comida a fim de sobreviverem. Olha, SENHOR, e vê que estou desprezada.
12Todos vós que estais passando, não vos importais ? Olhai, e vede se há dor como a minha, que me foi imposta, que o SENHOR me afligiu no dia da sua ira ardente.
13Desde o alto ele enviou fogo em meus ossos, o qual os dominou; ele estendeu uma rede a meus pés, fez-me voltar para trás; tornou-me assolada, sofrendo dores o dia todo.
14O jugo de minhas transgressões está amarrado por sua mão, elas estão ligadas, postas sobre o meu pescoço; ele abateu minhas forças. O Senhor me entregou nas suas mãos daqueles contra quem não posso me levantar.
15O Senhor derrotou todos os meus fortes em meio de mim; convocou contra mim um ajuntamento para quebrar os meus rapazes; o Senhor tem pisado a virgem filha de Judá como se fosse em uma prensa de uvas.
16Por estas coisas que eu choro; meus olhos, de meus olhos correm águas; pois afastou-se de mim consolador que daria descanso à minha alma: meus filhos estão desolados, porque o inimigo prevaleceu.
17Sião estendeu suas mãos, não há quem a console; o SENHOR deu ordens contra Jacó, para que seus inimigos o cercassem: Jerusalém se tornou imunda entre eles.
18O SENHOR é justo; eu que me rebelei contra sua boca. Ouvi, pois, todos os povos, e vede minha dor; minhas virgens e meus rapazes foram em cativeiro.
19Clamei a meus amantes, porém eles me enganaram; meus sacerdotes e meus anciãos pereceram na cidade; pois buscam comida para si tentarem sobreviver. )
20Olha, SENHOR, que estou angustiada; tormentam-se minhas entranhas, meu coração está transtornado em meio de mim, pois gravemente me rebelei; de fora desfilhou -me a espada, de dentro está como a morte.
21Eles me ouvem gemendo, porém não tenho consolador. Todos meus inimigos, quando ouvem minha aflição se alegram, pois tu o fizeste. Quando tu trouxeres o dia que anunciaste, eles serão como eu.
22Toda a maldade deles venha diante de ti, e faze com eles assim como fizeste comigo por causa de todas as minhas transgressões; pois meus gemidos são muitos, e meu coração está desfalecido.
1Como o Senhor cobriu a filha de Sião com sua ira! Ele derrubou a formosura de Israel do céu à terra, e não se lembrou do estrado de seus pés no dia de sua ira.
2O Senhor, destruiu sem compaixão todas as moradas de Jacó; derrubou em seu furor as fortalezas da filha de Judá, desonrou o reino e seus príncipes.
3Cortou no furor de sua ira todo o poder de Israel; tirou sua mão direita de diante do inimigo; e se acendeu contra Jacó como labareda de fogo que consome ao redor.
4Armou seu arco como inimigo, pôs sua mão direita como adversário, e matou todas as coisas agradáveis à vista; derramou sua indignação como fogo na tenda da filha de Sião.
5O Senhor tornou-se como inimigo, destruiu a Israel; destruiu todos os seus palácios, arruinou as suas fortalezas; e multiplicou na filha de Judá a lamentação e a tristeza.
6E com violência arrancou sua tenda, como se fosse de uma horta, destruiu o lugar de sua congregação; o SENHOR fez esquecer em Sião as solenidades e os sábados, E tem lançado no furor de sua ira rei e sacerdote.
7O Senhor rejeitou seu altar, detestou seu santuário, entregou na mão do inimigo os muros de seus palácios; levantaram gritaria na casa do SENHOR como em dia de festa.
8O SENHOR determinou destruir o muro da filha de Sião; estendeu o cordel, não deteve sua mão de destruir; tornou em lamento o antemuro e o muro; juntamente foram destruídos.
9Suas portas foram lançadas por terra, destruiu e quebrou seus ferrolhos; sua rei e seus príncipes estão entre as nações onde não há a Lei; nem seus profetas acham visão alguma do SENHOR.
10Sentados na terra e calados estão os anciãos da filha de Sião; lançaram pó sobre suas cabeças, vestiram-se de saco; as virgens de Jerusalém baixaram suas cabeças à terra.
11Meus olhos se consumiram de lágrimas, atormentam-se minhas entranhas; meu fígado se derramou por terra por causa do quebrantamento da filha de meu povo, porque crianças e bebês de mama desfalecem pelas ruas da cidade.
12Eles dizem às suas mães: Onde está o trigo e o vinho?, enquanto desfalecem como feridos pelas ruas da cidade, derramando suas almas no colo de suas mães.
13Que testemunho te trarei, ou a quem te compararei, ó filha de Jerusalém? A quem te assemelharei para te consolar, ó virgem, filha de Sião? Pois teu quebrantamento é tão grande quanto o mar; quem te curará?
14Teus profetas previram para ti futilidades e enganos; e não expuseram tua maldade para evitar teu cativeiro; em vez disso te predisseram profecias mentirosas e ilusórias.
15Todos os que passam pelo caminho, batem palmas para zombar de ti; assoviaram, e moveram suas cabeças por causa da filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que diziam ser a perfeita beleza, a alegria de toda a terra?
16Todos os teus inimigos abrem suas bocas contra ti, assoviam, e rangem os dentes; dizem: Nós a devoramos; pois este é o dia que esperávamos; nós o achamos, e o vimos.
17O SENHOR fez o que tinha determinado; cumpriu sua palavra que ele havia mandado desde os dias antigos; destruiu sem ter compaixão; e alegrou o inimigo sobre ti, e levantou o poder de teus adversários.
18O coração deles clamou ao Senhor. Ó muralha da filha de Sião, derrama lágrimas como um ribeiro dia e noite; não te dês descanso, nem cessem as meninas de teus olhos.
19Levanta-te, grita de noite, no começo das vigílias; derrama teu coração como águas diante da presença do Senhor; levanta tuas mãos a ele pela vida de tuas criancinhas, que desfalecem de fome nas entradas de todas as ruas.
20Olha, SENHOR, e considera a quem fizeste de tal modo; por acaso as mulheres comerão do seu próprio fruto, as criancinhas que carregam nos braços? Por acaso serão o sacerdote e o profeta mortos no santuário do Senhor?
21Jovens e velhos jazem por pelas ruas; minhas virgens e meus rapazes caíram à espada; tu os mataste no dia de tua ira, degolaste sem ter compaixão.
22Convocaste meus temores ao redor, como se fosse um dia solene; não houve quem escapasse no dia do ira do SENHOR, nem que restasse vivo; aos que criei e sustentei, meu inimigo os consumiu.
1Eu sou o homem que viu a aflição pela vara de seu furor.
2Guiou-me e levou-me a trevas, e não à luz.
3Com certeza se virou contra mim, revirou sua mão o dia todo.
4Fez envelhecer minha carne e minha pele, quebrou meus ossos.
5Edificou contra mim, e cercou -me de fel e de trabalho.
6Fez-me habitar em lugares escuros, como os que já morrera há muito tempo.
7Cercou-me por todos lados, e não posso sair; tornou pesados os meus grilhões.
8Até quando clamo e dou vozes, fechou os ouvidos à minha oração.
9Cercou meus caminhos com pedras lavradas, retorceu as minhas veredas.
10Foi para mim como um urso que espia, como um leão escondido.
11Desviou meus caminhos, e fez-me em pedaços; deixou-me desolado.
12Armou seu arco, e me pôs como alvo para a flecha.
13Fez entrar em meus rins as flechas de sua aljava.
14Servi de escárnio a todo o meu povo, de canção ridícula deles o dia todo.
15Fartou-me de amarguras, embebedou-me de absinto.
16Quebrou os meus dentes com cascalho, cobriu-me de cinzas.
17E afastou minha alma da paz, fez-me esquecer da boa vida.
18Então eu disse: Pereceram minha força e minha esperança no SENHOR.
19Lembra-te da minha aflição e do meu sofrimento, do absinto e do fel.
20Minha alma se lembra e se abate em mim.
21Disto me recordarei na minha mente, por isso terei esperança:
22É pelas bondades do SENHOR que não somos consumidos, porque suas misericórdias não têm fim.
23Elas são novas a cada manhã; grande é a tua fidelidade.
24O SENHOR é minha porção, diz a minha alma; portanto nele esperarei.
25Bom é o SENHOR para os que nele esperam, para a alma que o busca.
26É bom esperar e tranquilo aguardar a salvação do SENHOR.
27É bom ao homem levar o jugo em sua juventude.
28Sente-se só, e fique quieto; pois ele o pôs sobre si.
29Ponha sua boca no pó; talvez haja esperança.
30Dê a face ao que o ferir; farte-se de insultos.
31Pois o Senhor não rejeitará para sempre:
32Mesmo que cause aflição, ele também se compadecerá segundo a grandeza de suas misericórdias.
33Pois não é sua vontade afligir nem entristecer os filhos dos homens.
34Esmagar debaixo de seus pés a todos os prisioneiros da terra,
35Perverter o direito do homem diante da presença do Altíssimo,
36Prejudicar ao homem em sua causa: o Senhor não aprova ) tais coisas .
37Quem é que pode fazer suceder algo que diz, se o Senhor não tiver mandado?
38Por acaso da boca do Altíssimo não sai tanto a maldição como a bênção?
39Por que o homem vivente se queixa da punição de seus próprios pecados?
40Examinemos nossos caminhos, investiguemos, e nos voltemos ao SENHOR.
41Levantemos nossos corações e as mãos a Deus nos céus,
42Dizendo: Nós transgredimos e fomos rebeldes; tu não perdoaste.
43Cobriste-te de ira, e nos perseguiste; mataste sem teres compaixão.
44Cobriste-te de nuvens, para que nossa oração não passasse.
45Tu nos tornaste como escória e rejeito no meio dos povos.
46Todos os nossos inimigos abriram sua boca contra nós.
47Medo e cova vieram sobre nós, devastação e destruição.
48Rios de águas correm de meus olhos, por causa da destruição da filha de meu povo.
49Meus olhos destilam, e não cessam; não haverá descanso,
50Até que o SENHOR preste atenção, e veja desde os céus.
51Meus olhos afligem minha alma, por causa de todas as filhas de minha cidade.
52Sem motivo meus inimigos me caçam como a um passarinho.
53Tentaram tirar minha vida na masmorra, e lançaram pedras sobre mim.
54As águas inundaram sobre minha cabeça; eu disse: É o meu fim.
55Invoquei o teu nome, SENHOR, desde a cova profunda.
56Ouviste minha voz: não escondas o teu ouvido ao meu suspiro, ao meu clamor.
57Tu te achegaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.
58Defendeste, Senhor, as causas de minha alma; redimiste minha vida.
59Viste, SENHOR, a maldade que me fizeram; julga minha causa.
60Viste toda a vingança deles, todos os seus pensamentos contra mim.
61Ouvido os seus insultos, ó SENHOR, todos os seus pensamentos contra mim;
62As coisas ditas pelos que se levantam contra mim, e seu planos contra mim o dia todo.
63Olha para tudo quanto eles fazem; com canções zombam de mim.
64Retribui-lhes, SENHOR, conforme a obra de suas mãos.
65Dá-lhes angústia de coração, tua maldição a eles.
66Persegue-os com ira, e destrua-os de debaixo dos céus do SENHOR.
1Como se escureceu o ouro! Como mudou o bom e fino ouro! As pedras do Santuário estão espalhadas pelas esquinas de todas as ruas.
2Os preciosos filhos de Sião, estimados como o ouro puro, como agora são considerados como vasos de barro, obra das mãos de oleiro!
3Até os chacais dão o peito para amamentar a seus filhotes; porém a filha de meu povo se tornou cruel, como os avestruzes no deserto.
4Por causa da sede a língua da criança de peito se grudou a seu céu da boca; os meninos pedem pão, e ninguém há lhes reparta.
5Os que comiam das melhores iguarias, agora desfalecem nas ruas; os que se criaram em carmesim abraçam o lixo.
6Pois maior é o castigo da filha de meu povo do que o do pecado de Sodoma, Que foi transtornada em um momento, e não assentaram sobre ela companhias.
7Seus nazireus eram mais alvos que a neve, mais brancos que o leite. Seus corpos eram mais avermelhados que rubis, e mais polidos que a safira;
8Mas agora sua aparência se escureceu mais que o carvão; não são mais reconhecidos nas ruas; sua pele está apegada a seus ossos, ficou seca como um pau.
9Mais felizes foram os mortos pela espada do que os mortos pela fome; porque estes se abatem traspassados pela falta dos frutos do campo.
10As mãos das mulheres compassivas cozeram a seus filhos; serviram-lhes de comida na destruição da filha de meu povo.
11O SENHOR cumpriu o seu furor, derramou o ardor de sua ira; e acendeu fogo em Sião, que consumiu seus fundamentos.
12Nem os reis da terra, nem todos os que habitam no mundo, criam que o adversário e o inimigo entraria pelas portas de Jerusalém.
13Assim foi por causa dos pecados de seus profetas, por causa das maldades de seus sacerdotes, que derramaram o sangue dos justos em meio dela.
14Titubearam como cegos nas ruas, andaram contaminados de sangue, de maneira que ninguém podia tocar suas vestes.
15Gritavam-lhes: Afastai-vos, imundos! Afastai-vos, afastai-vos, não toqueis. Quando fugiram e andaram sem rumo, foi dito entre as nações: Aqui não morarão.
16A face do SENHOR os dispersou, não os olhará mais: não respeitaram a face dos sacerdotes, nem tiveram compaixão dos velhos.
17Quanto a nós, desfaleceram-se nossos olhos esperando por socorro para nós; aguardávamos atentamente uma nação que não podia salvar.
18Caçaram nossos passos, de modo que não podíamos andar por nossas ruas; achegou-se o nosso fim, nossos dias se completaram, pois nosso fim veio.
19Nossos perseguidores foram mais velozes que as águias do céu; sobre os montes nos perseguiram, no deserto armaram ciladas para nós.
20O fôlego de nossas narinas, o ungido do SENHOR, do qual dizíamos: Abaixo de sua sombra teremos vida entre as nações; foi preso em suas covas.
21Goza-te e alegra-te, filha de Edom, que habitas na terra de Uz: porém o cálice também passará por ti; tu te embriagarás, e te desnudarás.
22Cumpriu-se o castigo por tua maldade, ó filha de Sião; nunca mais te levará em cativeiro. Ele punirá tua maldade, ó filha de Edom; revelará os teus pecados.
"A fé é crer no que não se vê; a recompensa dessa fé é ver aquilo em que se crê."
— Augustine of Hippo