Day 156 / 365
Jó 30–32
Jó 30–32
1Porém agora riem de mim os mais jovens do que eu, cujos pais eu havia desdenhado até de os pôr com os cães de meu rebanho.
2De que também me serviria força de suas mãos, nos quais o vigor já pereceu?
3Por causa da pobreza e da fome andavam sós; roem na terra seca, no lugar desolado e deserto em trevas.
4Que colhiam malvas entre os arbustos, e seu alimento eram as raízes dos zimbros.
5Do meio das pessoas eram expulsos, e gritavam contra eles, como a um ladrão.
6Habitavam nos barrancos dos ribeiros secos, nos buracos da terra, e nas rochas.
7Bramavam entre os arbustos, e se ajuntavam debaixo das urtigas.
8Eram filhos de tolos, filhos sem nome, e expulsos de sua terra.
9Porém agora sirvo-lhes de chacota, e sou para eles um provérbio de escárnio.
10Eles me abominam e se afastam de mim; porém não hesitam em cuspir no meu rosto.
11Pois Deus desatou minha corda, e me oprimiu; por isso tiraram de si todo constrangimento perante meu rosto.
12À direita os jovens se levantam; empurram meus pés, e preparam contra mim seus caminhos de destruição.
13Destroem meu caminho, e promovem minha miséria, sem necessitarem que alguém os ajude.
14Eles vêm contra mim como que por uma brecha larga, e revolvem-se entre a desolação.
15Pavores se voltam contra mim; perseguem minha honra como o vento, e como nuvem passou minha prosperidade.
16Por isso agora minha alma se derrama em mim; dias de aflição têm me tomado.
17De noite meus ossos se furam em mim, e meus pulsos não descansam.
18Por grande força de Deus minha roupa está estragada; ele me prendeu como a gola de minha roupa.
19Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
20Clamo a ti, porém tu não me respondes; eu fico de pé, porém tu ficas apenas olhando para mim.
21Tu te tornaste cruel para comigo; com a força de tua mão tu me atacas.
22Levantas-me sobre o vento, e me fazes cavalgar sobre ele ; e dissolves o meu ser.
23Porque eu sei que me levarás à morte; e à casa determinada a todos os viventes.
24Porém não se estende a mão para quem está em ruínas, quando clamam em sua opressão?
25Por acaso eu não chorei pelo que estava em dificuldade, e minha alma não se angustiou pelo necessitado?
26Quando eu esperava o bem, então veio o mal; quando eu esperava a luz, veio a escuridão.
27Minhas entranhas fervem, e não se aquietam; dias de aflição me confrontam.
28Ando escurecido, mas não pelo sol; levanto-me na congregação, e clamo por socorro.
29Tornei-me irmão dos chacais, e companheiro dos avestruzes.
30Minha pele se escureceu sobre mim, e meus ossos se inflamam de febre.
31Por isso minha harpa passou a ser para lamentação, e minha flauta para vozes dos que choram.
1Eu fiz um pacto com meus olhos; como, pois, eu olharia com cobiça para a virgem?
2Pois qual é a porção dada por Deus acima, e a herança dada pelo Todo-Poderoso das alturas?
3Por acaso a calamidade não é para o perverso, e o desastre para os que praticam injustiça?
4Por acaso ele não vê meus caminhos, e conta todos os meus passos?
5Se eu andei com falsidade, e se meu pé se apressou para o engano,
6Pese-me ele em balanças justas, e Deus saberá minha integridade.
7Se meus passos se desviaram do caminho, e meu coração seguiu meus olhos, e se algo se apegou às minhas mãos,
8Que eu semeie, e outro coma; e meus produtos sejam arrancados.
9Se foi meu coração se deixou seduzir por alguma mulher, ou se estive espreitei à porta de meu próximo,
10Que minha mulher moa para outro, e outros se encurvem sobre ela.
11Pois tal seria um crime vergonhoso, e delito a ser sentenciado por juízes.
12Pois seria um fogo que consumiria até à perdição, e destruiria toda a minha renda.
13Se desprezei o direito de meu servo ou de minha serva quando eles reclamaram comigo,
14Que faria eu quando Deus se levantasse? E quando ele investigasse a causa ,o que eu lhe responderia?
15Aquele que me fez no ventre materno também não fez a ele? E não nos preparou de um mesmo modo na madre?
16Se eu neguei aos pobres o que eles desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva;
17E se comi meu alimento sozinho, e o órfão não comeu dele
18(Porque desde a minha juventude cresceu comigo como se eu fosse seu pai ,e desde o ventre de minha mãe guiei a viúva );
19Se eu vi alguém morrer por falta de roupa, e o necessitado sem algo que o cobrisse,
20Se sua cintura não me bendisse, quando ele se esquentava com as peles de meus cordeiros;
21Se levantei minha mão contra o órfão, quando vi que seria favorecido na corte judicial,
22Que minha escápula caia do meu ombro, e meu braço se quebre de sua articulação.
23Porque o castigo de Deus era um assombro para mim, e eu não teria poder contra sua majestade.
24Se eu pus no ouro minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és minha confiança;
25Se eu me alegrei de que minha riqueza era muita, e de que minha mão havia obtido muito;
26Se olhei para o sol quando brilhava, e à lua quando estava bela,
27E meu coração se deixou enganar em segredo, e minha boca beijou minha mão,
28Isto também seria um delito a ser sentenciado por juiz; porque teria negado ao Deus de cima.
29Se eu me alegrei da desgraça daquele que me odiava, e me agradei quando o mal o encontrou,
30Sendo que nem deixei minha boca pecar, desejando sua morte com maldição,
31Se a gente da minha casa nunca tivesse dito: Quem não se satisfez da carne dada por ele?
32O estrangeiro não passava a noite na rua; eu abria minhas portas ao viajante.
33Se encobri minhas transgressões como as pessoas fazem , escondendo meu delito em meu seio;
34Porque eu tinha medo da grande multidão, e o desprezo das famílias me atemorizou; então me calei, e não saí da porta:
35Quem me dera se alguém me ouvisse! Eis que minha vontade é que o Todo-Poderoso me responda, e meu adversário escrevesse um relato da acusação.
36Certamente eu o carregaria sobre meu ombro, e o poria em mim como uma coroa.
37Eu lhe diria o número de meus passos, e como um príncipe eu me chegaria a ele.
38Se minha terra clamar contra mim, e seus sulcos juntamente chorarem;
39Se comi seus frutos sem pagar dinheiro, ou fiz expirar a alma de seus donos;
40Em lugar de trigo que me produza cardos, e ervas daninhas no lugar da cevada. Aqui terminam as palavras de Jó.
1Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó, porque ele era justo em seus olhos.
2Porém se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu sua ira, porque justificava mais a si mesmo que a Deus.
3Também sua ira se acendeu contra seus três amigos, porque não achavam o que responder, ainda que tinham condenado a Jó.
4E Eliú tinha esperado a Jó naquela discussão, porque tinham mais idade que ele.
5Porém quando Eliú viu que não havia resposta na boca daqueles três homens, sua ira se acendeu.
6Por isso Eliú, filho de Baraquel, buzita, respondeu, dizendo: Eu sou jovem e vós sois idosos; por isso fiquei receoso e tive medo de vos declarar minha opinião.
7Eu dizia: Os dias falem, e a multidão de anos ensine sabedoria.
8Certamente há espírito no ser humano, e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entendedores.
9Não são somente os grandes que são sábios, nem somente os velhos entendem o juízo.
10Por isso eu digo: escutai-me; também eu declararei minha opinião.
11Eis que eu aguardei vossas palavras, e dei ouvidos a vossas considerações, enquanto vós buscáveis argumentos.
12Eu prestei atenção a vós, porém eis que ninguém há de vós que possa convencer a Jó, nem que responda a suas palavras.
13Portanto não digais: Encontramos a sabedoria; que Deus o derrote, e não o homem.
14Jó não dirigiu suas palavras a mim, nem eu lhe responderei com vossos dizeres.
15Estão pasmos, não respondem mais; faltam-lhes palavras.
16Esperei, pois, porém agora não falam; porque já pararam, e não respondem mais.
17Também eu responderei minha parte; também eu declararei minha opinião.
18Porque estou cheio de palavras, e o espírito em meu ventre me obriga.
19Eis que meu ventre é como o vinho que não tem abertura; e que está a ponto de arrebentar como odres novos.
20Falarei, para que eu me alivie; abrirei meus lábios, e responderei.
21Não farei eu acepção de pessoas, nem usarei de títulos lisonjeiros para com o homem.
22Pois não sei lisonjear; caso contrário ,meu Criador logo me removeria.
"Somos imortais até que nossa obra na terra esteja concluída."
— George Whitefield