Day 150 / 365
Jó 12–14
Jó 12–14
1Porém Jó respondeu, dizendo:
2Verdadeiramente vós sois o povo; e convosco morrerá a sabedoria.
3Também eu tenho entendimento como vós; e não sou inferior a vós; e quem há que não saiba coisas como essas?
4Eu sou o motivo de riso de meus amigos, eu que invocava a Deus, e ele me respondia; o justo e íntegro serve de riso.
5Na opinião de quem está descansado, a desgraça é desprezada, como se estivesse preparada aos que cujos pés escorregam.
6As tendas dos ladrões têm descanso, e os que irritam a Deus estão seguros; os que trazem seu deus em suas mãos.
7Verdadeiramente pergunta agora aos animais, que eles te ensinarão; e às aves dos céus, que elas te explicarão;
8Ou fala com a terra, que ela te ensinará; até os peixes do mar te contarão.
9Quem entre todas estas coisas não entende que a mão do SENHOR faz isto?
10Em sua mão está a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana.
11Por acaso o ouvido não distingue as palavras, e o paladar prova as comidas?
12Nos velhos está o conhecimento, e na longa idade o entendimento.
13Com Deus está a sabedoria e a força; o conselho e o entendimento lhe pertencem.
14Eis que o que ele derruba não pode ser reconstruído; e ninguém pode libertar o homem a quem ele aprisiona.
15Eis que, quando ele detém as águas, elas se secam; quando ele as deixa sair, elas transtornam a terra.
16Com ele está a força e a sabedoria; Seu é o que erra, e o que faz errar.
17Ele leva os conselheiros despojados, e faz os juízes enlouquecerem.
18Ele solta a atadura dos reis, e ata um cinto a seus lombos.
19Ele leva os sacerdotes despojados, e transtorna os poderosos.
20Ele tira a fala daqueles a quem os outros confiam, e tira o juízo dos anciãos.
21Ele derrama menosprezo sobre os príncipes, e afrouxa o cinto dos fortes.
22Ele revela as profundezas das trevas, e traz a sombra de morte à luz.
23Ele multiplica as nações, e ele as destrói; ele dispersa as nações, e as reúne.
24Ele tira o entendimento dos líderes do povo da terra, e os faz vaguear pelos desertos, sem caminho.
25Nas trevas andam apalpando, sem terem luz; e os faz cambalear como a bêbados.
1Eis que meus olhos têm visto tudo isto ; meus ouvidos o ouviram, e entenderam.
2Assim como vós o sabeis, eu também o sei; não sou inferior a vós.
3Mas eu falarei com o Todo-Poderoso, e quero me defender para com Deus.
4Pois na verdade vós sois inventores de mentiras; todos vós sois médicos inúteis.
5Bom seria se vos calásseis por completo, pois seria sabedoria de vossa parte.
6Ouvi agora meu argumento, e prestai atenção aos argumentos de meus lábios.
7Por acaso falareis perversidade por Deus, e por ele falareis engano?
8Fareis acepção de sua pessoa? Brigareis em defesa de Deus?
9Seria bom para vós se ele vos investigasse? Enganareis a ele como se engana a algum homem?
10Certamente ele vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas.
11Por acaso a majestade dele não vos espantará? E o temor dele não cairá sobre sobre vós?
12Vossos conceitos são provérbios de cinzas; vossas defesas são como defesas de lama.
13Calai-vos diante de mim, e eu falarei; e venha sobre mim o que vier.
14Por que tiraria eu minha carne com meus dentes, e poria minha alma em minha mão?
15Eis que, ainda que ele me mate, nele esperarei; porém defenderei meus caminhos diante dele.
16Ele mesmo será minha salvação; pois o hipócrita não virá perante ele.
17Ouvi com atenção minhas palavras, e com vossos ouvidos minha declaração.
18Eis que já tenho preparado minha causa; sei que serei considerado justo.
19Quem é o que brigará comigo? Pois então eu me calaria e morreria.
20Somente duas coisas não faças comigo; então eu não me esconderei de teu rosto:
21Afasta tua mão de sobre mim, e teu terror não me espante.
22Chama, e eu responderei; ou eu falarei, e tu me responde.
23Quantas culpas e pecados eu tenho? Faze-me saber minha transgressão e meu pecado.
24Por que escondes teu rosto, e me consideras teu inimigo?
25Por acaso quebrarás a folha arrebatada pelo vento ? E perseguirás a palha seca?
26Por que escreves contra mim amarguras, e me fazes herdar as transgressões de minha juventude?
27Também pões meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos. Tu pões limites às solas dos meus pés.
28Eu me consumo como a podridão, como uma roupa que a traça rói.
1O homem, nascido de mulher, é curto de dias, e farto de inquietação;
2Ele sai como uma flor, e é cortado; foge como a sombra, e não permanece.
3Contudo sobre este abres teus olhos, e me trazes a juízo contigo.
4Quem tirará algo puro do imundo? Ninguém.
5Visto que seus dias já estão determinados, e contigo está o número de seus meses, tu lhe puseste limites, dos quais ele não passará.
6Desvia-te dele, para que ele tenha repouso; até que, como o empregado, complete seu dia.
7Porque há ainda alguma esperança para a árvore que, se cortada, ainda se renove, e seus renovos não cessem.
8Ainda que sua raiz se envelheça na terra, e seu tronco morra no solo,
9Ao cheiro das águas ela brotará, e dará ramos como uma planta nova.
10Porém o homem morre, e se abate; depois de expirar, onde ele está?
11As águas se vão do lago, e o rio se esgota, e se seca.
12Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, eles não despertarão, nem se erguerão de seu sono.
13Ah, se tu me escondesses no Xeol, e me ocultasses até que a tua ira passasse, se me pusesses um limite de tempo, e te lembrasses de mim!
14Se o homem morrer, voltará a viver? Todos os dias de meu combate esperarei, até que venha minha dispensa.
15Tu me chamarás, e eu te responderei; e te afeiçoarás à obra de tuas mãos.
16Pois então tu contarias meus passos, e não ficarias vigiando meu pecado.
17Minha transgressão estaria selada numa bolsa, e tu encobririas minhas perversidades.
18E assim como a montanha cai e é destruída, e a rocha muda de seu lugar,
19E a água desgasta as pedras, e as enxurradas levam o pó da terra, assim também tu fazes perecer a esperança do homem.
20Sempre prevaleces contra ele, e ele passa; tu mudas o aspecto de seu rosto, e o despedes.
21Se seus filhos vierem a ter honra, ele não saberá; se forem humilhados, ele não perceberá.
22Ele apenas sente as dores em sua própria carne, e lamenta por sua própria alma.
"Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz."
— Francis of Assisi